Minhas histórias com protagonismo não binário

Me entender enquanto uma pessoa não binária está sendo mais difícil do que imaginei. Para falar a verdade, eu nunca tinha me imaginado como qualquer outra coisa que não fosse uma garota, porque, para mim, só havia dois gêneros. Ninguém nunca tinha me apresentado a possibilidade de existir fora dessas caixinhas.


E, mesmo assim, só fui entender de verdade o que significava ser uma pessoa não binária (e que eu me encaixava nesse conceito) em 2020. Desde então, está sendo uma jornada cheia de altos e baixos, como contei na última Newsletter do Clube da Maria.


Foi através da minha escrita que consegui olhar para dentro de mim mesma e encarar aquilo que eu ficava prendendo e guardando. Criando personagens, vou colocando neles pedaços de mim que eu nunca tinha permitido que se soltassem.


A primeira história com personagem não binárie que escrevi foi Encontre Joana, em 2019. Confesso que, na época, eu entendia muito pouco sobre não binariedade e acabei não abordando da melhor forma possível. O livro não está mais no ar e nem tenho pretensão de que ele volte a ser publicado.


Depois disso, veio Amor de janela, conto da coleção Clichês em rosa, roxo e azul, e aqui as coisas começaram a mudar. Pouco tempo depois da escrita dessa história, comecei a questionar alguns sentimentos que sempre tive em relação ao meu corpo, às minhas roupas e ao meu cabelo.


Hoje, já não consigo pensar em nenhuma história que não tenha uma pessoa não binária em destaque. Todo Pokémon evolui, né? E o futuro é não binário, meus amores.


O último Natal de Violeta

Em Violeta nós não temos apenas uma, como duas personagens não binárias: a viajante do tempo Jen e a Liz. Nessa história, que intercala os dias atuais com um futuro não muito distante, há a célebre frase:


“Não confie em não bináries. A gente tá aqui só pra foder com tudo e partir corações.”

E eu não menti.


O último Natal de Violeta é a história dessa moça super medrosa que reencontra uma amiga de infância por quem acaba se apaixonando. Mas a história das duas não dá certo e, cinquenta anos depois, quando Liz era apenas uma lembrança guardada no pingente de um medalhão, Violeta encontra uma viajante do tempo em seu quintal.


Porque, às vezes, uma segunda chance chega quando a gente menos espera, e o tempo abre exceções para algumas histórias de amor.


Emma, Cobra e a garota de outra dimensão

Eu poderia resumir todas as razões para ler esse livro com apenas uma frase: Cobra é um não binário fofoqueiro que tem o superpoder de ler mentes.


Mas não para por aí, é claro que não. Emma, Cobra e a garota de outra dimensão ainda tem outros personagens LGBTQIAP+ superpoderosos, muita confusão e uma associação do mal cujo vilão se chama Naro.


A história começa depois que um meteoro cruza o céu do interior de Minas Gerais, dando superpoderes para alguns adolescentes. Até aí tudo bem, o problema acontece mesmo quando a Emma passa a ouvir uma voz vinda de dentro de sua parede.


Enquanto isso, o Cobra está se divertindo, usando seu novo poder para ouvir os pensamentos dos colegas e ficar por dentro de todas as fofocas da cidade. Mas com grandes poderes vêm grandes... dores de cabeça, e agora os dois vão ter que se unir para ajudar uma garota que veio de outra dimensão.


O último robô do mundo

Primeira (e única) distopia que escrevi na vida, O último robô do mundo foi escrito para o Espectros de roxo e cinza, projeto que visava reunir contos com protagonismo assexual.


Na história, Sombra tenta sobreviver em um mundo destruído e sem adultos. Depois de roubar algo dos Garotos, ela se esconde em um galpão protegido por um robô prestes a pifar. E, junto com ele, tenta encontrar um pouco de esperança para aquele mundo devastado.


Um Papai Noel de outro planeta

Conto que fecha a coleção Clichês em rosa, roxo e azul, Um Papai Noel de outro planeta é uma grande viagem entre dimensões, entre tempos e entre as outras histórias da coleção. Tudo isso sob o ponto de vista de Gal, um jovem gênero fluido que está em busca de sua namorada desaparecida. Ele só não esperava contar com a ajuda de um estranho Papai Noel em sua jornada.


Amor de janela

Primeira história (boa) com protagonismo não binário que escrevi, Amor de janela é a única que não tem elementos de ficção científica. Nada de super heróis, alienígenas ou viajantes do tempo aqui.


Embora seja fã de Star Trek, a grande jornada da vida de Camila está sendo enfrentar a quarentena logo durante seu primeiro período de faculdade. Mas as coisas ficam um pouco melhores quando ela conhece Erick, seu vizinho (super gato) de janela. Será que esse crush vai render?



Bom, essas são as minhas histórias com protagonismo nb para comemorar que hoje é o Dia Internacional do Orgulho Não Binário. Qual delas você já leu? E qual é a sua preferida?


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