Minhas histórias com protagonismo sáfico


O amor entre garotas sempre esteve presente nas minhas obras, mesmo lá no meu primeiro livro, As Razões de Cris, ainda que não fosse protagonista, havia Regina, uma personagem lésbica que, mais para frente na história, engata um relacionamento com Dani. E então vieram as outras histórias e, em muitas delas, o relacionamento sáfico tem protagonismo.


Cartas para Luísa, livro publicado pelo Se Liga Editorial, e que venceu o prêmio Mix Literário em 2020, é uma história sáfica, onde uma garota tenta, por meio de cartas anônimas, fazer com que sua amiga entenda o quanto ela é linda, mesmo quando muita gente parece dizer o contrário.


Na coleção Clichês em rosa, roxo e azul, tive a oportunidade de explorar vários tipos de protagonismo bissexual, entre eles, há alguns casais sáficos. Nesse texto, pretendo falar um pouquinho sobre cada uma dessas histórias, onde o amor entre garotas, ou pessoas alinhadas ao feminino, é protagonista.


Cartas para Luísa

Este foi um livro que escrevi pensando em mim, na adolescente que fui, e também é uma homenagem aos leitores que me acompanham desde o início. Na escrita de Cartas para Luísa, me permiti ser a jovem emo que, na verdade, nunca deixei de ser.


Rafaela é uma adolescente com toda a melancolia que uma adolescente incompreendida pode ter. Ao se apaixonar por Luísa, sua melhor amiga, Rafa vai escrever cartas anônimas carregadas de todas as palavras que ela não tem coragem de dizer pessoalmente.


Um corpo de verão

Escrevi uma série de contos com protagonismo bissexual para tentar representar um pouco mais do que vejo ao meu redor. Claro que os Clichês em rosa, roxo e azul não são capazes de passar por todas as variações existentes dentro da letra B, mas pelo menos consigo homenagear pessoas que amo.


Um corpo de verão é uma homenagem para a minha noiva, Thaís. Vanessa tem as características físicas dela e Thaís gosta de brincar que gostaria de ter a autoestima de Vanessa. Bia tem muito de mim. Na história, elas estão passando o fim de semana juntas, enquanto leem Conectadas ao som de Taylor Swift.


Espero que não perca

Mercedes e Alzira se apaixonaram em uma época onde os pais ainda decidiam os destinos de suas filhas. Se hoje as relações que fogem na heteronormatividade podem enfrentar desafios, imagine em 1938. Pensando nos amores LGBTQIAP+ que sempre existiram, decidi escrever essa história.


O conto surgiu depois que meu amigo Deko Lipe me convidou para a antologia Amores de Outrora, que tinha foco nos romances queer do passado. Em Espero que não perca, as protagonistas precisam lidar com o fato de que o amor delas é impossível e, mesmo lutando para que as coisas mudem, tudo pode ser mais difícil do que já é.


Estrela e a Flor

Uma narrativa inspirada nas festas juninas, mas com toques de fantasia e muita magia. Estrela e a Flor é uma das histórias mais leves dos Clichês e tem muitos elementos que eu amo, como comidas típicas e festas na roça.


No conto, chegou a noite da festa mais importante para a família de Estrela, mas está muito frio e a fogueira não acende de jeito nenhum. Mas a chegada de Flor, uma misteriosa jovem de cabelos roxos e que manipula o fogo, pode ajudar.


O último Natal de Violeta

Eu amo esse conto. Acredito que O último Natal de Violeta é o tipo de história que eu gostaria de escrever mais vezes. Tem drama, fala de dores, mistura ficção científica e fala de amizade.


Na história, Violeta é uma mulher idosa que está em casa quando Jen aparece em seu quintal. Jen é uma viajante do tempo que estava fugindo dos perigos de sua época. Tendo deixado muitas coisas para trás, Jen encontra conforto na amizade de Violeta. Ela acaba descobrindo que a amiga deixou um grande amor no passado e que há uma carta de amor que Violeta nunca enviou…


Essas são as minhas histórias sáficas. E ainda tenho uma outra engavetada, mas não sei se ainda seria viável revisitar aquelas páginas. Lembrando que as classificações indicativas e os avisos de conteúdo de todas as histórias mencionadas, e de todos os meus livros, estão disponíveis aqui.

38 visualizações0 comentário